Chico Galindo (PTB) enfrenta uma situação que se tornou grande desafio no comando da Capital, embora trate-se de uma questão básica para o administrador público: regularizar o serviço de coleta de lixo. No Palácio Alencastro há três meses, o petebista tenta solucionar o caos no setor, enquanto toneladas de lixo ficam acumuladas nos bairros e até na região central da Capital que se prepara para ser uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014. O prefeito rescindiu o contrato com a Qualix, patrocinadora de campanha de candidatos, como foi com Wilson Santos e Alexandre Cesar em 2004.
A empresa vinha explorando a concessão dos serviços de coleta de lixo desde a gestão Roberto França (1997/2004). Agora, a administração contratou temporariamente a carioca Delta. Para não ser multado por quebra do contrato, o prefeito recorre a várias cláusulas que a Qualix não estaria cumprindo.
Entre os argumentos do prefeito está a coleta precária do lixo em alguns bairros, que vinham acumulando sujeiras até por duas semanas, além da paralisação dos serviços sem comunicação formal ao município. Lembra, inclusive, que a Qualix foi multada várias vezes, totalizando R$ 4 milhões. A concessionária, por sua vez, não quer perder o contrato de R$ 1,5 milhão mensais e promete ingressar na Justiça para assegurar o direito de executar os serviços até 12 de agosto, quando venceria o acordo firmado com a prefeitura.
Nesta segunda (20), quando a Delta assumiu a coleta e a Sanecap passou a administrar o aterro sanitário, a Qualix “bateu o pé”. Mesmo sem autorização do município, coletou o lixo da região Sul. Ao chegar no aterro sanitário, os caminhões foram barrados. Além da pendenga com a empresa, o prefeito vai ter de resolver o impasse quanto à contratação dos motoristas e garis.
Acontece que a Delta se comprometeu a aproveitar os mesmos funcionários da antiga prestadora. O problema é que eles ainda não foram demitidos e, por isso, a empresa destacou 60 varredores municipais para a ação. Mesmo com o empenho da nova empresa e de mutirões, a prefeitura estima que ainda estejam acumulados ao menos 700 toneladas de lixo no perímetro urbano. Diariamente são recolhidas 460 toneladas. No novo modelo de coleta, a Delta disponibiliza 16 caminhões, 32 motoristas e 96 garis. A gestão estima gasto mensal de R$ 1 milhão, numa economia de R$ 500 mil num comparativo com a Qualix.
Licitação
O contrato com a Delta tem vigência de seis meses. Neste período, a pefeitura precisa realizar a nova licitação. A administração chegou a lançar um edital, que previa a contratação do serviços por meio de pregões, mas teve de cancelar o certame depois que o processo foi impugnado na Justiça. Agora, procurador-geral Fernando Biral admite que a modalidade da licitação pode ser alterada. Além disso, outros serviços, como varreção, serão incluídos. Galindo precisa resolver também o impasse sobre construção de novo aterro sanitário. O lixo é depositado hoje numa célula construída ao lado no aterro já existente. Técnicos asseguram que o local é suficiente para absorver o lixo por somente seis meses. A Sanecap precisa construir um novo aterro. E, assim, segue a administração pública na Capital, acumulando "pepinos" deixados pelos antecessores, assim como lixo na rua.
RD News
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